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O Farol Santander São Paulo, centro de cultura, lazer, turismo e gastronomia, inaugura no dia 14 de março (sexta-feira) a exposição Heloisa Hariadne - a cor do ar, no 24º andar. Com curadoria de Aldones Nino, pesquisador e curador brasileiro radicado na Espanha, a mostra marca a primeira exposição individual da artista, destacando sua presença no cenário contemporâneo. Por meio de suas obras, o público é convidado a perceber a plasticidade da atmosfera, onde memórias, sensações e ritmos se entrelaçam em uma experiência fluida e sensorial.
Apresentada pelo Ministério da Cultura, Santander Brasil e F1rst Digital Services, a exposição ocupará toda a galeria do 24º andar e fica em exibição até 15 de junho (domingo).
"É com alegria que abrimos esta galeria para receber a primeira mostra individual desta jovem artista paulistana. É uma belíssima exposição, que também presta homenagem às mulheres, e apresenta pinturas que conectam memórias, sensações e ritmos,” comenta Maitê Leite, Vice-presidente executiva Institucional do Santander Brasil.
Heloisa Hariadne, 26 anos, vive e trabalha em São Paulo, onde se formou pela Faculdade Belas Artes. Sua obra investiga novos imaginários e narrativas, abordando temas como meio ambiente, nutrição e os saberes dos povos originários. Em suas pinturas, as memórias corporais se entrelaçam em uma poética pessoal, questionando a identidade e suas intenções.
A artista já realizou exposições de destaque, como In Focus: Heloisa Hariadne na Tiwani Contemporary, em Londres (2024), e Nem o céu escapa da vida na Galeria Leme, em São Paulo (2023). Seu trabalho integra importantes coleções, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, Instituto Inhotim (MG), Instituto Inclusartiz (RJ) e Underdog Collection (Itália).
"Expor no Farol Santander São Paulo marca um momento importante na minha trajetória, reunindo anos de dedicação em uma exposição que reflete tudo o que venho explorando e aprendendo na pintura, na cerâmica e na relação com o espaço. É a materialização de um sonho, pensada em cada detalhe", diz Heloisa Hariadne.
A mostra contará com um total de 24 obras, sendo 19 inéditas, entre as quais se destacam 11 telas pintadas e 8 peças em cerâmica. Entre as pinturas, todas feitas em óleo sobre tela, estão "Detalhe que é bom de se encontrar quando se vê", "A sua voz é o único som que não para de tocar", "Os sonhos não lembrados", "Nenhum tempo será o bastante", "Bons sonhos no mundo das conchas", "Tão quente quanto o sol", "Talvez o espelho não suporte me mostrar quem sou", "No esconderijo de só o que vejo", "Ecos da noite", "De onde o sol veio, eu quero voltar" e "Flor de fogo" todas realizadas em 2024.
Além das telas, o conjunto de cerâmicas se destaca como uma das principais novidades da mostra, marcando uma nova fase na trajetória da artista. Criadas para serem exibidas em grupos, as peças compartilham a mesma técnica de esmaltação, explorando cor e forma por meio da pintura.
Para Heloisa, o grande diferencial dessa técnica está na montagem das peças, que se integram visualmente em uma única estrutura. Após receber o convite para expor, a artista retomou essa abordagem, criando dois conjuntos de quatro obras cada, totalizando oito cerâmicas.
Suas composições mesclam elementos botânicos e silhuetas do cotidiano, que parecem flutuar sobre fundos adicionados. Investigando encontros entre imaginação, natureza e atmosfera, Heloisa Hariadne dissolve a paisagem em um campo fluido, onde as cores não apenas ocupam a superfície, mas se entrelaçam a processos vitais, pulsando como ecos da própria vida e despertando emoções.
Ao explorar a cor entre o visível e o intangível, a artista convida o público para perceber a plasticidade da atmosfera, na qual memórias, sensações e ritmos se entrelaçam. Suas pinceladas criam camadas cromáticas que vão além da simples representação, chamando todos para experimentar as cores ao redor e expandir a percepção. Em suas obras, o ar deixa de ser apenas um elemento invisível e se torna o que une a paisagem ao olhar, revelando a essência que sustenta o mundo: a conexão entre tudo o que vive.
“Quando Heloísa dissolve paisagens, ela ‘acordoa’ o olhar, entrelaçando harmoniosamente elementos, como um músico que compõe a melodia sutil de uma manhã. Cada pincelada torna-se uma tentativa de capturar esse tecido invisível e revelar aquilo que sustenta o mundo: a simbiose entre tudo que vive”, diz Aldones Nino, curador da mostra.
Obras em telas
Uma característica sobre as 16 obras: os títulos foram escolhidos para expressar as emoções da artista. As pinturas de Heloisa Hariadne se conectam com a ideia da Metáfora do Voo, pois trazem leveza e liberdade, rompendo com a sensação de peso e limite. Dessa forma, a imaginação encontra um caminho para se libertar das regras da física e da gravidade.
Em obras como Às vezes sinto que vale a pena ser salva (2023 - óleo sobre tela, 201 x 97x 4 cm), Queria ter seu céu para conseguir voar com minhas asas (2024 - óleo sobre tela, 120 x 90 cm) e a tela inédita Bons sonhos no mundo das conchas (2024 - óleo sobre a tela, 120 x 150 cm), corpos e seres alados flutuam como se diluídos no ambiente, movendo-se em frequências distintas, em que a leveza se torna metáfora para a liberdade e a conexão com o entorno.
A sonoridade emerge sobre a obra inédita A sua voz é o único som que não para de tocar (2024 - óleo sobre tela, 152 x 162cm), em que aparatos sonoros evocam a doçura de um abraço e a transposição entre estados mentais, tecendo uma musicalidade que colore o mundo de matizes inauditas, reveladas apenas pela escuta atenta.
Pétalas que choraram sem conseguir respirar nos céus em busca de vida (2023 - acrílica sobre tela, 180 x 271 x 4 cm) retrata até mesmo o universo vegetal flutuando, desprendendo-se do solo e de suas limitações terrenas. A obra se abre para um infinito que espreita e pulsa como plano de fundo para as origens celestiais e estelares.
O tempo também adquire um caráter poético, extrapolando as limitações da estabilidade. Enquanto o tempo se jogou do círculo e tudo foi achado (2024 - óleo sobre tela, 170 x 110 cm), a artista traz formas que evocam o mundo mineral, vegetal e animal, diluindo-se em camadas -- a vida mesclando-se numa dança.
Na tela inédita Nenhum tempo será o bastante (2024 - óleo sobre tela, 164 x 124,5 cm), brotos, bulbos e pistilos revelam a diversidade de cores e formas, em que água e sol se esvanecem um no outro, como recordações celulares sobre um fundo plasmado de matizes. Ali, sugerem-se múltiplos estágios vitais, instantes que se sobrepõem e se dissolvem no fluxo contínuo da existência.
Em No esconderijo de só o que eu vejo (2024 - óleo sobre tela, 98 x 77,5 cm), tela inédita, Heloisa transcende a linearidade do tempo, plasmando em sua pintura formas e vidas que marcaram sua imersão na Grécia. Com cores quentes e ondulações, a obra ressoa como uma memória suspensa, em que lembrança e matéria se entrelaçam sob o firmamento.
Os sonhos não lembrados (2024 - óleo sobre tela, 111 x 78 cm) explora a metáfora do sonho, rica em simbolismo e repleta de camadas da imaginação, da psique humana e da delicada fronteira entre realidade e fantasia. Um dos primeiros desafios que os sonhos impõem é justamente a dificuldade de lembrá-los. Heloísa se apropria dessa ideia em sua obra, convidando os visitantes a vislumbrar os sonhos primordiais da gênese da existência, onde casulos emergem, evocando ciclos de criação e transformação.
De onde o sol veio eu quero voltar (2024 - inédita, óleo sobre tela, 60 x 80 cm) tem o ovo como centro da composição, símbolo da origem e da continuidade, uma ode à forma oval e ao mistério da grandiosidade da criação e da germinação.
Por sua vez, a tela O inexplorável ainda vive sobre as águas (2024 - óleo sobre tela, 200x165 cm) lança o olhar para os oceanos e mares, territórios não esgotados pela ambição humana, geografias pulsantes de vida e descobertas ainda por vir, em que o corpo pode descansar tendo a imaginação como passagem a territórios remotos.
Já a autocompreensão da artista se confronta com a incomensurabilidade de sua própria existência diante de uma superfície de reflexão. Na obra Talvez o espelho não suporte me mostrar quem sou (2024 - óleo sobre a tela, 96 x 78 cm) traduz o dilema entre identidade e imagem, entre o que se revela e o que escapa ao olhar.
A fragilidade de uma flor encontra sua própria contradição ao se transmutar na tela Flor de fogo (2024 - óleo sobre tela, 120 x 120 cm ), na qual a delicadeza se inflama e o sonho dá forma a materialidades mais complexas.
Em Ecos da noite (2024 - óleo sobre tela, 100 x 60 cm), as formas fluidas interrogam a continuidade das memórias, em que noite e dia se dissolvem na lembrança, trazendo o passado à superfície do presente.
Tão quente quanto o sol (2024 - óleo sobre tela, 180 x 150 cm) leva a mente ao limite da sensação de calor, transformando percepções que desafiam a capacidade de sentir. Já em Detalhe que é bom de se encontrar quando se vê (2024 - óleo sobre tela, 119 x 77 cm), a percepção se amplia, revelando a pureza da alegria presente nos pequenos encontros com a realidade.
Entre os andares 24º e 23º, os visitantes encontrarão a instalação Quando a cor rompe os limites (2024), um ambiente instagramável. A arte de Heloísa será plotada ao fundo do espaço, enquanto flores de papel darão vida ao ambiente, compondo um cenário envolvente e perfeito para registros fotográficos.
Cerâmicas
Na pintura, o ar se dissolve em cores e vibrações. Já na cerâmica, ele se enraíza na terra, ganhando forma e densidade ao ser moldado pelas mãos. As peças surgem como caules, estruturas verticais que ligam o subterrâneo ao que está acima, criando canais por onde a energia circula entre profundezas e alturas.
A artista modela o barro como quem tenta capturar o instante em que a matéria sólida ainda guarda a memória do fluido, quando o gesto ainda vibra na superfície. Os caules de argila simbolizam nutrição e crescimento, atravessando o espaço como condutores de força vital.
Como raízes que rompem a terra em busca de luz ou hastes que sustentam folhas em direção ao céu, suas cerâmicas parecem suspensas entre estados -- paradas por um momento no processo de transformação, mas ainda carregadas com a promessa de movimento.
Sobre Heloisa Hariadne
Carapicuíba, Brasil, 1998. Vive e trabalha em São Paulo, SP. Heloisa Hariadne usa de suas pinturas para construir novos imaginários e narrativas a partir de diferentes temas que se desenrolam desde temáticas ambientais à nutrição e o resgate de saberes de povos originários.
Exposições coletivas: Passado Presente - 200 anos depois, Centro Cultural PGE, Rio de Janeiro, Brasil (2022); Chromatica, Red Gallerie, Miami, Estados Unidos (2022); Entre a estrela e a serpente, Galeria Leme, São Paulo, Brasil (2022); Arte Atual - Por muito tempo acreditei ter sonhado que era livre, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil (2022); Estamos aqui, Sesc Pinheiros, São Paulo, Brasil (2022); Coleção MAR + Enciclopédia Negra, MAR, Rio de Janeiro, Brasil (2022); Enciclopédia Negra, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo, Brasil; Monster High, Olhão Space, São Paulo, Brasil (2021); Montagem Povera, Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, Minas Gerais, Brasil (2020); Garota Mais Feia da Sala, Ateliê 397, São Paulo, Brasil (2019); A Noite Não Adormecerá Jamais aos Olhos Nossos, Galeria Baró, São Paulo, Brasil (2019).
O seu trabalho integra as coleções: Instituto Inclusartiz, Rio de Janeiro, Brasil; Instituto Inhotim, Minas Gerais, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil; Underdog Collection, Itália.
Sobre Aldones Nino
Curador e pesquisador radicado na Espanha, atuando em uma rede internacional que combina curadoria de exposições e pesquisa teórica em história da arte contemporânea. Atualmente, é Curador Adjunto de Collegium (Arévalo, Espanha) e Assessor de Projetos de Pesquisa e Curadoria do Instituto Inclusartiz (Rio de Janeiro). Sua prática curatorial investiga a historiografia da arte e a curadoria como ferramentas de enunciação contra regimes hegemônicos, propondo novas formas de enfrentamento dos legados coloniais.
Doutor em História y Arte pela Escuela Internacional de Posgrado da Universidad de Granada e em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2023), Aldones é também pós-doutorando em Museologia na Universidade Lusófona (Lisboa, Portugal). Possui mestrado em História, Política e Bens Culturais pelo CPDOC (2018), além de formação em História da Arte (UFRJ, 2019) e Filosofia (USJT, 2013).
Complementou sua formação com cursos de especialização, incluindo Administração Pública da Cultura (UFRGS/MinC), o programa Imersões Curatoriais na Escola Sem Sítio (Rio de Janeiro), e programas internacionais como a Universidade de Verão What does slavery mean? (Séc. XV-XXI) no Instituto de Estudos Avançados de Nantes (França) e International Curator Course na Gwangju Biennale Academy (Coreia do Sul).
Atua como parecerista acadêmico da Res Publica. Revista de História de las Ideas Políticas (Universidad Complutense de Madrid), periódico dedicado à pesquisa em história das ideias políticas, filosofia do direito e teoria constitucional.
É membro do Conselho Internacional de Museus (ICOM) e do Comitê Internacional de Educação e Ação Cultural (CECA). Suas pesquisas foram apresentadas em conferências nas Américas, Europa e Ásia. Na esfera editorial, publicou os livros Butler e Kafka (2016), Breviário da Solitude (2018) e Confronto e Transformação (2025) pela Editora Paisagens Híbridas, além de diversos capítulos de livros e ensaios críticos.
Sua produção teórica explora a interseção entre arte, política e memória, com ênfase nas dinâmicas decoloniais e na reconfiguração da historiografia da arte.
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